Comprada pelo SBT, entenda como a série A Usurpadora se desenvolve

Cadu Safner
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Sandra Echeverría interpreta Paola e Paulina na série A Usurpadora (Divulgação: Televisa S.A.)
Sandra Echeverría interpreta Paola e Paulina na série A Usurpadora (Divulgação: Televisa S.A.)

A série A Usurpadora, produzida pela rede mexicana Televisa em 2019, aquela que viria a ser uma releitura da obra da cubana Inês Rodena, de 1998, que imortalizou Gabriela Spanic com as gêmeas Paola e Paulina, foi adquirida pelo SBT e será exibida em breve, no entanto, ainda sem previsão de estreia e nem horário definido.

A produção foi a primeira do projeto Fábrica de Sueños a sair do papel e ganhar as telas. Na sequência ainda vimos Cuna de Lobos e Rubí, todas elas disponíveis para assinantes do Prime Vídeo e agora também pelo Globoplay, o serviço de streaming da TV Globo.

A ‘licença poética’ adotada pela showrunner Carmen Armendáriz transformou A Usurpadora em uma história completamente diferente da que conhecemos.

Ao adaptar o argumento original, vimos inúmeras alterações, que distancia, e muito, da trama original, para se aproximar muito mais do enredo de Quien Eres Tú, uma parceria da RTI, Televisa e Univisión, filmada em 2012, na Colômbia. Mas já falamos das semelhanças.

A série Usurpadora nos apresentou Sandra Echeverría como as gêmeas protagonistas. Paulina Miranda e Paola Bernal. A primeira, uma jovem humilde e idealista. Luta pelos direitos dos mais necessitados, apesar do pouco que ela mesma tem.

A segunda, uma mulher libidinosa e sem caráter. Capaz de trai o próprio marido – o presidente mexicano Carlos Bernal (Andrés Palacios) – com um amante bem mais jovem, papel do ator Juan Martín Jáuregui.

Inicialmente, a mexicana Ximena Rubio chegou a ser confirmada pelo jornalista Alex Kaffie para reviver os papéis de Paola e Paulina. Porém, Ximena foi substituída de última hora por sua conterrânea Sandra Echeverría.

Sandra é bastante conhecida no universo latino de telenovelas. Ela trabalhou na Televisa uma única vez, como estrela da novela La Fuerza del Destino, de 2011. No Brasil, já foi vista no folhetim Marina, que integrou durante alguns anos o catálogo da Netflix, e na série policial A Amante do Centauro, exibida pelo canal pago Mais Globosat.

Sua relação com o público tupiniquim, no entanto, vai um pouco além. Sandra foi a protagonista de El Clon, versão colombiana de O Clone (2001), produzida em 2010 pela Telemundo. Coube a ela dar vida à marroquina Jade, papel de Giovanna Antonelli na obra original da Globo.

O chileno Andrés Palacios ficou com o papel de Carlos Daniel Bracho, papel de Fernando Colunga na Usurpadora original. Ana Bertha Espín e Queta Lavat também forma parte do elenco de estrelas.

A escolha de Sandra Echeverría, no entanto, gerou controvérsias no México, tanto entre as atrizes que disputavam o requisitado papel, passando por executivos da emissora. E isso abriu os olhos para tudo que cercava o projeto, pois até o público seguiu manifestando negativas nas redes sociais desde o anuncio dela para o papel.

E claro, a própria Gaby Spanic não perdeu a oportunidade de alfinetar diversas vezes a produção desse remake. E tendo em vista os altos investimentos em meio a uma crise por qual a emissora passava, a rejeição imediata do público poderia tornar o projeto um fracasso e causar um rombo aos cofres da emissora.

Depois de muita espera e expectativa, finalmente a Televisa lançou o primeiro trailer oficial da nova versão de A Usurpadora. A adaptação para um contexto mais moderno e político. No formato de uma série de apenas 25 episódios, funcionou!

No primeiro episódio, a série mostra o encontro da vilã Paola com a humilde Paulina (Sandra Echeverría), a irmã gêmea que não sabia possuir.

“Alguma vez ouviu falar que em alguma parte do mundo existe uma pessoa idêntica a você? Pois você está nessa parte do mundo!”, brada Paola para Paulina, ao sequestrá-la a fim de obrigá-la a usurpar seu lugar junto à família do presidente mexicano Carlos Bernal (Andrés Palacios), seu marido.

Outro trecho mostra Paulina sendo baleada por um atirador, contratado por Paola, durante o período de usurpação. O objetivo da vilã ao dar cabo da irmã era forjar a própria morte.

Porém, Paulina sobrevive ao atentado, para desespero de Paola, que tentará outras vezes acabar com a vida de sua substituta antes que ela possa abrir a boca.

Semelhanças com Quién Eres Tu?

Nesta revisitação da história, a vilã Verónica Esquivel (Laura Carmine) convencia a gêmea do bem, Natalia Garrido (Laura Carmine), a substituí-la em seu lar durante apenas uma semana.

O objetivo da megera, na realidade, era aproveitar os dias de usurpação para assassinar Natalia, forjando assim a própria morte. Tudo para escapar do país com Lorenzo (Lincoln Palomeque), seu cunhado e amante.

No remake de A Usurpadora que está sendo produzido, acontecerá exatamente isso! Cansada das responsabilidades de primeira dama do México, Paola de Bernal (Sandra Echeverría) trará a ingênua Paulina (Sandra Echeverría) da Colômbia com a promessa de ocupar seu lugar por poucos dias.

Também tentará assassiná-la, a fim de ser ela própria dada como morta e poder cair no mundo ao lado do sedutor Martín (Juan Martín Jáuregui).

Outra coincidência entre as duas versões mais atuais do dramalhão latino é o fato de os filhos do galã terem sido transformados em adolescentes.

Na Usurpadora original, Carlos Daniel Bracho (Fernando Colunga) era pai de duas crianças – os pequenos Carlinhos (Sergio Guerrero) e Lizete (María Solares).

Em Quien Eres Tu, Felipe Esquivel (Julián Gil) tinha por herdeiros a Lucas (José Julián Gaviria), um jovem rebelde que acabava se tornando usuário e traficante de drogas; e Gabriela (Viviana Serna), garota tímida que acaba engravidando do próprio professor.

Na série (supostamente) inspirada na novela dos anos 90, Emilio de Bernal (Germán Bracco) se entregará ao alcoolismo e acabará desenvolvendo ataques de pânico.

Para desgosto de seu pai, o presidente mexicano Carlos Bernal (Andrés Palacios). Já sua irmãzinha Lizete (Macarena Oz) sofrerá com o desprezo da própria mãe, Paola, por estar acima do peso. O mais inusitado de tudo é que, ao contrário da obra original Quien Eres Tú foi um retumbante fracasso de público.

Análise!

A produção conserva bem pouco da versão original e mantém apenas a espinha dorsal das irmãs gêmeas. A boa e a má. Os personagens Carlinhos (Germán Bracco), Carlos Daniel e a Vovó Piedade (Queta Lavat) estão nessa versão, porém, com uma plástica modernizada, dentro de um contexto voltado para a nossa realidade e que dão mais movimento à trama, mas com destaque um pouco menor em relação à novela de 98, já que a série é muito mais concentrada na trama policial que envolve a Paola.

Os personagens dos núcleos paralelos, eles tem, é claro, uma significativa importância na história, só que se alguns deles não existissem, não fariam tanta diferença.

Como por exemplo a Vovó Piedade, que fica para cima e para baixo andando de cadeira de rodas. Ela tem muitas perdas de memória, que, acredito, era um tema que melhor desenvolvido poderia ter elevado a importância da personagem ao que representou a Vovó Piedade da Libertad Lamarque.

A estética da série, por si só, te coloca no universo das narconovelas. A direção prima muito pela câmera nervosa, que é um recurso em que a câmera fica em movimento solto, ela segue os atores e em determinados momentos, é como se ela fosse a visão de alguém que está perseguindo os personagens. E isso ajudou a dar dinamismo às cenas em momentos oportunos, tornando a trama mais ágil e interessante, embora a extensão de seus episódios.

Os personagens estão inseridos em linhas realistas, são figuras mais humanas e com problemáticas mais bem tratadas que nas novelas.

A Paola, por exemplo, tem várias crises de ansiedade e isso afeta seu comportamento e sua relações, o que contribui para a esfera dramática da série, uma vez que nunca é possível saber como ela vai reagir a cada situação. E consequentemente isso gera um certo interesse em saber o que vem adiante. A história fica imprevisível e gostosa de acompanhar.

Cadu Safner

Cadu Safner

Jornalista e editor-chefe do site Estrela Latina (Metrópoles), repórter com passagens na RedeTV!, Band, AllTV e no portal Terra. Desempenhou funções em editoriais de moda, política, policial e também assina a coluna Holofote, no site Observatório da TV (UOL).

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