Crítica: Maldivas é um suspense com recheio de melodrama

Jonathas Lopes
Jonathas Lopes
Um enredo tragicômico chamado Maldivas (Foto: Divulgação/Netflix)

Nesta última quarta-feira (15/06) chegou ao catálogo da Netflix a série brasileira Maldivas. Nesse caso, o projeto é criado e roteirizado por Natália Klein, que também agrega o elenco como a personagem Verônica.

Ademais, o seriado também conta com as atuações estelares de Bruna Marquezine, Manu Gavassi, Sheron Menezzes, Carol Castro, Klebber Toledo, Guilherme Winter, Vanessa Gerbeli, Ângela Vieira e muitos outros. Ao total, a comédia dramática reúne 7 episódios que variam entre 30 a 40 minutos de duração.

Vale a pena?

Um crime, uma vítima, um culpado e vários suspeitos, esse é o ponto de partida de Maldivas. Apesar de ser uma premissa batida de outras séries de sucesso como Twin Peaks (1990-1991/2017) e Riverdale (2017 – atual), o enredo consegue trabalhar com elementos dramáticos que capturam a atenção do público para outra direção. Dessa forma, enquanto o suspense se instala no condomínio onde tudo acontece, outras subtramas vão ganhando espaço e, algumas delas, contribuem para “alimentar” o grande conflito da história.

Assim sendo, micro conflitos como relacionamentos amorosos, status, maternidade, e até mesmo corrupção são incluídos a medida que os episódios avançam. De fato, tudo isso torna o desenrolar do enredo mais dinâmico e sem ser cansativo.

Aliado a tudo isso, o texto consegue ser um bom thriller – sem deixar de lado elementos de um bom folhetim. Nesse sentido, alguns episódios são marcados por grandes reviravoltas que vão se desviando da premissa básica rumo a uma solução diferente do que se esperava. Dito isso, aqui Maldivas surpreende e consegue o feito de inovar mesmo fazendo uso de clichês do gênero.

Ainda como destaque, a roteiro traz a tona discussões sobre o padrão de vida perfeito. Nesse caso, quebra estereótipos dispersados pelas redes sociais e põe em cena uma boa reflexão. Afinal, o perfeito está naquilo que postamos ou no que de fato vivemos?

O lado ruim

Apesar de cativar, a série não convence logo de cara. Isto é, o conjunto começa a ficar mais agradável com o tempo. De fato, isso se deve ao texto que nos momentos iniciais carece de mais naturalidade e reflete em tela totalmente caricato.

Sendo assim, algumas cenas soam fracas dado os diálogos óbvios e nada maduros. Além disso, determinadas decisões do roteiro também acabam assumindo uma postura ingênua demais e que questiona a veracidade do que está em tela.

Atuações questionáveis

Somado a isso, a qualidade atoral do elenco também deixa dúvidas no ar. Nesse sentido, sendo um texto as vezes muito “mastigado” e nada natural, as atuações ficam devendo em função da dificuldade em tornar aquilo plausível.

Desse modo, personagens como o de Manu Gavassi (Milene) soa caricato e forçado em diversos momentos. Assim, se a ideia era trazer a imagem de uma It Girl, o projeto ficou apenas no rascunho. Frases como “acham que eu não vejo CSI?” expõem por si só o quão vazio é isso.

Ainda no elenco, os destaque ficam mesmo por conta de Natália Klein e Sheron Menezzes. Ademais, que estranha a atuação de Enzo Romani como o Detetive Denilson, em alguns momentos o ator parecia mais preocupado em seduzir do que passar a seriedade que seu personagem exigia. Por outro lado, Marquezine sai um pouco do tom tímido para dar lugar a emoção, ainda que nos dois últimos episódios somente.

Vale ressaltar também a presença de Vanessa Gerbeli e seu reencontro com Marquezine. As duas voltam a atuar como mãe e filha 19 anos depois do sucesso Mulheres Apaixonadas e novamente emocionam em cena. Não sei se foi proposital, mas em Maldivas mãe e filha ficam separadas por 18 anos.

Além disso, para cobrir a cota luxo da produção, Ângela Vieira compartilha um pouco de seu charme como Joana, avó de Marquezine na trama.

Parte técnica

Como uma obra audiovisual, Maldivas também surpreende pelo balanço de cores, iluminação e direção. Dessa forma, a estética em tela caminha de mãos dadas com a proposta do enredo – entregar algo colorido com pitadas de drama e suspense.

Conclusão: Maldivas é uma aventura alegre e despretensiosa, que navega pelo trilher com um recheio de melodrama.

Nota: 8,0

Jonathas Lopes

Jonathas Lopes

Amante de teledramaturgia e cinema. Crítico de televisão nas horas vagas, e apaixonado pelo universo Star Wars.

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