Televisa recorreu a ‘Walcyr Carrasco mexicano’ para conter atrasos nos roteiros de Amores Verdadeiros

Felipe Brandão
Felipe Brandão
Eiza González e Sebastián Rulli em cena de Amores Verdadeiros (Reprodução: Televisa S.A.)
Eiza González e Sebastián Rulli em cena de Amores Verdadeiros (Reprodução: Televisa S.A.)

O público que acompanha Amores Verdadeiros no SBT vai começar a notar – se é que já não começou – uma certa elevação no tom do texto na fase atual da trama. Essa perceptível mudança não é casual, e se deve a um pequeno contratempo nos bastidores do folhetim, produzido em 2012 pela Televisa.

À época em que ia ao ar no horário nobre do Canal de Las Estrellas (hoje simplesmente Las Estrellas), a história de José Ângelo Aguiar (Eduardo Yáñez) e Vitória Balvanera (Érika Buenfil) ia muito bem de audiência e começava a rumar para a reta final. Um problema inesperado, porém, ameaçava todo esse êxito: o atraso na entrega dos textos.

Por questões pessoais, a roteirista Kary Fajer estava encontrando sérias dificuldades em dar conta do ritmo de adaptação do roteiro original – a trama argentina Amor en Custodia (2005), o que estava atrapalhando o trabalho de toda a produção. Em dado momento, Ximena Suárez (A Que Não Podia Amar) chegou a ser escalada para auxiliá-la, mas a sangria não se estancou.

Foi aí que o produtor de Amores Verdadeiros, Nicandro Díaz, resolveu liberar do trabalho tanto Kary quanto Ximena, escalando um terceiro autor para terminar a novela. O escolhido foi Alberto Gómez, escritor venezuelano com quem Díaz já havia trabalhado em dois de seus maiores sucessos infantis, Carinha de Anjo (2000) e Gotinha de Amor (1998).

Bastante visado na teledramaturgia latina, Gómez está para esse universo como o global Walcyr Carrasco está para os folhetins brasileiros. Suas tramas adquirem um certo humor involuntário ao usar e abusar de clichês, maniqueísmo e exageros, sem nenhum compromisso com a realidade ou mesmo a verossimilhança – mesmo assim, porém, são garantia de sucesso.

A Alma Não Tem Cor (1997), Gata Selvagem (2002) e Mar de Amor (2009) foram algumas obras de seu currículo que chegaram a ir ao ar no Brasil – e foi esse mesmo estilo popularesco que o autor venezuelano imprimiu à sua intervenção sobre Amores Verdadeiros.

Isso irá ficando mais nítido à medida que a novela avance. Kendra (Marjorie de Sousa) vai adquirir ares mais psicóticos nesta fase da história, encomendando assassinatos das formas mais peculiares – sempre com o comparsa Espanto (Sergio Acosta) para executá-los – e chegará a protagonizar um barraco daqueles com Camila (Bárbara Islas), a amiga coadjuvante de Nikki (Eiza González), ao saber que ela está tendo um caso com Nélson (Guillermo Capetillo).

Será que a história vai continuar agradando o público brasileiro com essa roupagem diferenciada? A julgar pelo êxito do ‘Alberto Gómez tupiniquim’ em seus trabalhos na Globo, não seria arriscado dizer que sim. É aguardar para ver.

Felipe Brandão

Felipe Brandão

Felipe Brandão é jornalista diplomado desde 2012 - mas sua paixão pela TV e pelas novelas, especialmente as latinas, começou desde muito cedo em sua vida. Gosta de tudo o que envolve arte, apesar de seu apreço duvidoso pelos filmes de um certo boneco Chucky... Ninguém é perfeito, né?

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