The O.C., Grey’s Anatomy e Revenge: conheça séries americanas que viraram novela e você não sabia

Felipe Brandão
Felipe Brandão
The O.C.,Grey's Anatomy e Revenge são algumas das séries americanas transformadas em novelas latinas (Reprodução/Montagem Estrela Latina)
The O.C.,Grey's Anatomy e Revenge são algumas das séries americanas transformadas em novelas latinas (Reprodução/Montagem Estrela Latina)

As séries americanas andam mais em alta do que nunca. Com o boom do streaming em todo o mundo, seriados como Stranger Things, Lucifer e Sweet Tooth têm feito a cabeça da audiência, sobretudo entre os mais jovens – e até já existe quem diga quem as enxergue como substitutos dos folhetins nacionais e estrangeiros na preferência do grande público.

O que talvez muitos não saibam é que seriados de sucesso dos Estados Unidos já renderam adaptações interessantes em formato de telenovela, em diversos países da América Latina. Confira os principais exemplos:

Grey’s Anatomy

Êxito absoluto na TV americana – e internacional – desde 2005, Grey’s Anatomy já contabiliza quase 400 episódios no ar, 17 temporadas completas (e uma 18ª em produção) e dois spin-offs, Private Practice (2007-2013) e Station 9 (2018-), também bem-sucedidos.

O drama centralizado na equipe médica do Hospital Seattle Grace possui milhões de fãs em todo o mundo e por vezes já teve seu enredo comparado ao de uma novela.

Esse potencial melodramático aparentemente acabou chamando a atenção do grupo Vista Producciones, que, em 2010, se uniu ao canal colombiano RCN para produzir A Corazón Abierto (De Coração Aberto), a versão (oficialmente) “novelesca” do programa de Shonda Rimes.

A protagonista original, Meredith Grey (Ellen Pompeo), foi transformada em María Alejandra Rivas (Verónica Orozco), jovem médica recém-formada que recebe o desafio de fazer residência no Hospital Santa María, um dos mais importantes de Bogotá.

A adaptação foi feita pelo renomado roteirista colombiano Fernando Gaitán (1960-2019), criador de sucessos internacionais como Café com Aroma de Mulher (1994) e Betty, a Feia (199).

Também se destaca no elenco a presença do ator Jorge Enrique Abello. Conhecido como o galã de Betty, ele deu vida ao médico Mauricio Hernández, recriação do Mark Sloan (Eric Dane) de Grey’s Anatomy.

Inicialmente prevista para durar apenas 80 episódios em sua primeira temporada, a novela fez tanto sucesso que acabou chegando ao de número 120, além de ter sido renovada para uma segunda temporada, com 90 capítulos.

Tamanho sucesso acabou impulsionando a TV Azteca, do México, a produzir sua própria versão de A Corazón Abierto. Produzido em 2011, o remake seguiu o mesmo texto da versão colombiana, da qual também herdou o título.

Ela foi gravada nos mesmos cenários em Bogotá, porém com atores mexicanos do casting da emissora. O sucesso se repetiu, levando a Azteca a encomendar uma segunda temporada, desta vez filmada no próprio México.

Revenge

A saga da vingança de Emily Thorne (Emily VanCamp) contra Victoria Grayson (Madeleine Stowe) foi um dramalhão com tudo a que se tem direito.

Com isso, não é de se estranhar que a série criada por Mike Kelley acabasse rendendo uma – ou melhor, duas – telenovelas de repercussão considerável.

A primeira foi realizada em 2013 na Turquia e teve por protagonista a atriz local Beren Saat, conhecida no Brasil como estrela da novela Fatmagul: A Força do Amor (Band).

Na trama, intitulada Íntikam (“vingança” em turco), ela interpretou Derin Çelik [Amanda Clarke], uma jovem que adota a falsa identidade de Yagmur Ozden [Emily Thorne] para vingar-se dos culpados pela desmoralização e morte de seu pai, Adil (Burak Davutoglu).

Já em 2016, o canal RCN, da Colômbia, decidiu produzir sua própria versão folhetinesca de Revenge. Assim nasceu Venganza, adaptação livre da trama estadunidense que foi rodada em 2016 e conta com 100 episódios.

Estranhamente, a trama estreou primeiro na Argentina, onde começou a ser exibida em janeiro de 2017, sob o título de Revancha (Revanche), e acabou tirada do ar após apenas 30 episódios, por conta da baixa audiência que vinha conseguindo. A estreia em seu país natal aconteceu meses depois.

Assim como no remake turco, a essência da história se mantém: Amanda Santana (Margarita Muñoz) adota a identidade de Emilia Rivera (Margarita Muñoz) para se vingar de Victoria (María Helena Doëring) e Ramón Piedrahita (Javier Gómez) pelos incidentes que culminaram na morte de seu pai, David Santana (Ricardo Vélez).

Nasce a partir daí o triângulo amoroso entre Amanda/Emilia, Daniel Piedrahita (Jason Day) – filho de Ramón e Victoria – e Adrián (Andrés Toro), sua antiga paixão de infância.

Para adequar a trama ao público latino, muitas modificações foram realizadas em Venganza. O recurso usado em Revenge de fragmentar a cronologia da narrativa, através de constantes flashbacks que recapitulavam o passado dos personagens foi praticamente descartado na versão colombiana.

Nela, o episódio de estreia conta com uma longa “primeira fase” – artifício típico das novelas latinas – resumindo todo o passado da protagonista e de seu pai.

Outra novidade fica por conta da inserção do personagem César Riaño (Emmanuel Esparza), correspondente ao Aiden Mathis (Barry Sloane) de Revenge.

Ele aparece logo nos primeiros episódios da novela, em cumplicidade com Emilia em planos contra a família Piedrahita, enquanto na série estadunidense o personagem só surge na segunda temporada.

Brothers and Sisters

Sucesso durante cinco temporadas nos Estados Unidos, entre 2006 e 2011, Brothers and Sisters foi o primeiro seriado americano a ser transformado em telenovela mexicana por meio de uma parceria entre a gigante Sony e a rede mexicana Azteca.

Assim nasceu Secretos de Familia (Segredos de Família), um folhetim que até recebeu alguns elogios da crítica especializada na terra da tequila, mas terminou como um grande fracasso de público.

Coube à prestigiada atriz mexicana Ofelia Medina dar vida à matriarca-protagonista da trama, Nora Ventura – uma recriação da inesquecível Nora Walker (Sally Field) da série original.

Ela se via em sérios problemas após a morte repentina do marido, Eduardo (Hugo Stiglitz), e a revelação de que ele realizava desfalques na empresa familiar e escondia, além de um caso extraconjugal com Karina (Patricia Bernal), uma filha ilegítima, Sofía (Bárbara de Regil).

Apesar do fracasso, considera-se que Secretos de Familia foi um remake bastante fiel a Brother and Sisters, chegando a contar com praticamente a mesma quantidade de capítulos que os cinco anos da série original.

Dallas

Ícone do dramalhão “xumbrega” americano dos anos 80, Dallas sempre foi vista como um dos produtos mais “mexicanizados” da televisão na terra do Tio Sam.

Portanto, não é de se estranhar que, mesmo que um pouco tardiamente, ela tenha acabado inspirando um baita novelão no México.

A trama em questão leva o título de Los Rey e foi produzida em 2012 pela TV Azteca, principal concorrente da Televisa.

O casal central da história é Lorenza Malvido (Rossana Nájera) e Matías Rey (Michel Brown), que escandalizam suas famílias ao se casarem apesar da rivalidade que há entre os dois clãs – iniciada depois que Everardo Rey (Fernando Luján), pai de Matías, casou-se com Manuela (Ofelia Medina), o grande amor de seu outrora amigo e sócio Pedro Malvido (José Alonso), pai de Lorenza.

Qualquer semelhança com o mote da história de amor entre Bobby Ewing (Patrick Duffy) e Pamela Barnes (Victoria Principal) da série estadunidense, é claro, não se trata de mera coincidência.

Embora a inspiração em Dallas nunca tenha sido mencionada nos créditos de abertura ou encerramento de Los Rey, ela fica ainda mais evidente em outros aspectos secundários da trama assinada pelo escritor mexicano Luis Felipe Ybarra.

Figura mais icônica de Dallas em toda sua extensão, o maquiavélico vilão J.R. (Larry Hagman) aparece reproduzido no não menos frio e calculista Vado Rey (Leonardo García) – que, assim como seu precursor, também foi batizado em homenagem ao próprio pai.

Novamente, o tiro da Azteca de transformar uma série americana em novela saiu pela culatra, e Los Rey, assim como Secretos de Familia, foi um grande fracasso de audiência no México.

Após duas experiências mal-sucedidas, a Sony e a rede mexicana encerraram a parceria para produção de folhetins – havia ainda o projeto de uma adaptação mexicana de Revenge, o qual acabou jamais saindo do papel.

The O.C: Um Estranho no Paraíso

Quem foi adolescente na década de 2000 certamente se lembrará desse hit entre os jovens de todo o mundo entre 2003 e 2007, época em que foi ao ar.

A série estrelada por Ben McKenzie (Gotham) e a sempre polêmica Mischa Barton durou quatro temporadas, apenas três delas com a presença de Mischa – que optou por deixar a série ao fim do terceiro ano e deu espaço para que a até então coadjuvante Autumn Reeser fosse promovida a heroína.

De olho nesse sucesso, o produtor turco Ay Yapim decidiu adquirir os direitos do formato americano para produzir uma versão local – e bastante livre – de The O.C., intitulada Medcezir (“Maré” em turco).

Produzida entre 2013 e 2015, o seriado médio-oriental contou com 77 episódios divididos em duas temporadas, os quais, para veiculação na América Latina, foram transformados em uma novela ininterrupta de 163 capítulos.

Medcezir – assim mesmo, sem tradução no título – já foi exibida com sucesso na Argentina, Uruguai, Estados Unidos e também no Chile, onde ficou marcada com uma das produções turcas mais vistas na história do canal Mega.

Medcezir adapta apenas as duas primeiras temporadas de The O.C., desprezando os acontecimentos do terceiro e do quarto ano do programa.

Embora muitos conflitos e linhas narrativas inéditos tenham sido criados para incrementar a versão turca, não são poucos os motes do original preservados na adaptação.

Uma mudança, porém, que certamente agradará muito aos fãs de The O.C., sobretudo aos que “shippavam” Ryan e Marissa, é o desfecho dos protagonistas.

Ao contrário da trama original, onde Marissa morre em um acidente ao final da terceira temporada, na versão turca Mira e Yaman ficam juntos, com direito a casamento de véu e grinalda e tudo!

E.R. (Plantão Médico)

Mais conhecida no Brasil pelo título traduzido de Plantão Médico, a série E.R. foi pioneira nos Estados Unidos no filão dos dramas ambientados em hospitais, e angariou sucesso de público e crítica ao longo de nada menos que 15 temporadas, produzidas entre 1994 e 2009.

Além disso, foi responsável por lançar à fama astros do calibre de George Clooney, Maria Bello e Noah Wyle.

Animado com o sucesso da adaptação de Grey’s Anatomy (A Corazón Abierto), o canal colombiano RCN resolveu continuar investindo no remake de seriados médicos americanos e encomendou, em 2015, a produção de Sala de Urgencias, versão “telenovelada” do programa criado por Michael Crichton.

Sala de Urgencias constou de 130 capítulos em seu primeiro ano, os quais fizeram tanto sucesso que animaram a RCN a produzir uma segunda temporada da série, agora com 101 episódios.

Essa nova leva foi ao ar no ano passado, mas não atingiu o mesmo sucesso da entrega inicial – derrubando sua audiência de 10 para 6 pontos e culminando no cancelamento do programa.

Apesar desse pequeno intercurso, pode-se dizer que Sala de Urgencias superou as expectativas da RCN e conseguiu até um relativo sucesso no exterior, tendo sido emitida em países como Honduras, Equador e até o próprio Estados Unidos.

O programa chegou inclusive ao Brasil, onde foi transmitido, com dublagem em português, pelo canal pago Fox Life, sob o título de Emergências Médicas.

Felipe Brandão

Felipe Brandão

Felipe Brandão é jornalista diplomado desde 2012 - mas sua paixão pela TV e pelas novelas, especialmente as latinas, começou desde muito cedo em sua vida. Gosta de tudo o que envolve arte, apesar de seu apreço duvidoso pelos filmes de um certo boneco Chucky... Ninguém é perfeito, né?

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