Um conto de fadas da vida real – Primeiras Impressões de “Üç Kız Kardeş”

Jonathas Lopes
Jonathas Lopes
Üç Kız Kardeş estreia no Kanal D (Foto: Divulgação/Kanal D)

Estreou na última terça-feira (22/02) na Turquia o novo drama das terças-feiras do Kanal D. A produção tem o título de Üç Kız Kardeş (Três Irmãs) e trata-se de uma versão para a TV do livro homônimo escrito por İclal Aydın em 2018. Ademais, o folhetim está a cargo da empresa Süreç Film, com roteiro de Betül Yağsağan e direção de Eda Teksöz.

Qual a história?

A trama é ambientada na cidade de Ayvalık – Turquia, no final do século XX. Assim, a história apresenta três irmãs: Türkan, Dönüş e Derya. Apesar de terem personalidades e perspectivas diferentes sobre a vida, uma verdade une as três – o prazer de viver numa família feliz e que as ama.

Contudo, esse conto de fadas está longe de ser real, pois com o tempo as três irão perceber que a vida não é tão colorida quanto elas acreditavam ser. Desse modo, conflitos e reviravoltas do destino chegarão com tudo a ponto de trilhar caminhos que elas nunca imaginaram.

Como foi a estreia?

No primeiro capítulo temos que em 2018 Dönüş (Almila Ada) escreve uma história, a qual se passa em 1998 e resulta ser sobre sua própria família. Nesse sentido, sua irmã mais velha, Türkan (Özgü Kaya), prepara-se para viver o seu sonho mais precioso – casar-se com um príncipe encantado.

Todavia, é um casamento orquestrado com muito esmero por Rüçhan (Veda Yurtsever), uma mulher rica e controladora. Nesse caso, o desejo de Rüçhan é casar seu único filho, Somer (Berker Güven), com a noiva que ela escolher. No entanto, Somer está de romance com Mine (Nazlı Senem Ünal), a mulher que ele quer casar.

Com o tempo, Rüçhan convence a família de Türkan sobre o casamento, ainda que isso cause desconforto no pai da menina – Sadık (Reha Özcan). Porém, ele acaba cedendo tendo em vista a alegria nos olhos da filha.

Encurralado, Somer acaba fazendo a vontade da mãe e se casa com Türkan. Entretanto, na noite de núpcias deixa claro para sua ‘esposa’ o que ela deve esperar dessa união, e em seguida, a abandona sozinha na casa deles.

Segredos e grandes conflitos

Como todo bom folhetim, a trama ao parecer está recheada de mistérios envolvendo as famílias dos protagonistas. Sendo assim, logo no início um homem chamado Fatih (Hakan Atalay), irmão de Sadık, aparece querendo conhecer sua filha. Isto é, alguma das três irmãs é filha deste homem, e ele está disposto a reconhecê-la.

Por outro lado, Somer leva Mine como testemunha de seu casamento com Türkan. Obviamente, sua noiva desconhece todo esse conflito. Nesse sentido, mesmo Rüçhan tentando separar o filho de Mine, ao parecer, ele próprio está armando contra ela.

Vale a pena?

Como dito acima, a trama é narrada por uma das irmãs – já em 2018. Sendo assim, a história é apresentada como um conto de fadas da vida real. Ademais, a direção somada a trilha sonora clássica reforçam isso.

Nesse caso, o folhetim bebe do melodrama tradicional, trazendo a tona elementos bem visíveis como um romance proibido e conflitos familiares, além de, claro, ser uma história ambientada no final do século passado.

Por certo, o roteiro traz sequências bem clássicas como discussões em torno de comportamentos entre classes sociais. Assim, deixando claro que algumas atitudes mais conservadoras estão ligadas ao padrão social de cada família, e não a cultura de uma sociedade.

Ademais, algumas cenas merecem destaque como o enfrentamento entre Rüçhan e Mine, e as situações tensas que embalam o casamento no final do episódio.

Deixou a desejar

Ainda assim, a produção destoa em outros elementos. Como o uso de alguns instrumentais muito intensos no início do capítulo, e a fotografia que contrapõe a direção de arte.

No quesito roteiro, todo o contexto da família da protagonista, e as motivações de Rüçhan soam antiquadas para o final da década de 90. Ainda mais que a história original se passa nos anos 70, logo a roteirista deveria ter se atentado para essas questões na adaptação.

Dito isso, é só comparar as situações vistas em Üç Kız Kardeş com outra produção turca também ambientada em 1998 – Aşk 101 da Netflix. Na produção juvenil temos jovens agindo sem limites, enquanto no novo drama do Kanal D a protagonista vive reclusa como uma princesa sem amigos. Nesse caso, nem precisa dizer que será uma mocinha passiva e que muito provavelmente vai sofrer calada todo o inferno que a espera.

Outra questão que soa estranha é a relação fria entre as 3 irmãs. Nesse primeiro momento, apesar de terem algumas cenas juntas, foi muito pouco para evidenciar um forte laço entre elas.

Atuações

Vale a pena destacar as performances dos atores mais velhos como Reha Özcan (Um Milagre) e Veda Yurtsever (Chamas do Destino). Por outro lado, as atuações juvenis ainda soam fracas, sem muito carisma. Nesse caso, o desempenho mais positivo é o de Berker Güven. Contudo, acredito que a medida que os outros núcleos ganhem espaço, consequentemente os demais atores e atrizes poderão mostrar melhor seu trabalho.

Primeira impressão

Üç Kız Kardeş traz uma história com raiz melodramática e tradicional, tendo conflitos e elementos dignos de um folhetim. Contudo, a trama tropeça em situações incômodas e personagens sem carisma.

NOTA PARA A ESTREIA: 8,0

Curiosidade:

A autora do livro lançado em 2018 – İclal Aydın, também atua na novela dando vida a mãe das três irmãs, Nesrin.

Jonathas Lopes

Jonathas Lopes

Amante de teledramaturgia e cinema. Crítico de televisão nas horas vagas, e apaixonado pelo universo Star Wars.

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